quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

UMA SOLUÇÃO PARA O EXAME DA ORDEM...

A famigerada reputação do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil pode ser transformada, muito mais pessoas serão aprovadas nele, o exame terá eficiência muito maior, apoio por parte dos estudantes e bacharéis bem mais largo e ainda se tornará muito mais justo e honesto. Tudo isso a partir de uma simples separação entre as etapas do exame.
É fácil notar que a dependência entre as etapas da prova torna a avaliação muito mais estressante e altamente desestimulante, opondo aos examinados enormes barreiras emocionais e psicológicas em geral, sem trazer qualquer acréscimo qualitativo em relação à avaliação no que diz respeito à preparação acadêmica dos examinados.
Para ficar mais claro... O Exame da Ordem é composto por duas etapas dependentes, uma de múltipla escolha e uma discursiva. Os que são aprovados na primeira etapa, em menos de um mês em média, devem se preparar para a segunda. Se aprovados se habilitam para comporem os quadros da Ordem, os reprovados nesta segunda fase são obrigados a iniciarem todo o processo e refazerem a primeira fase na qual foram aprovados e mais uma vez a segunda.
Agora, imagine você nesta situação. Tendo sido reprovado apenas na segunda fase, muitas vezes por décimos de pontos, ao invés de dedicar seu tempo apenas para corrigir o que declinou seu desempenho naquela etapa, ter que se preocupar novamente com a primeira fase, reviver a ansiedade e o desgaste da espera e ainda se preparar para a outra prova que exige uma técnica de realização completamente diferente. Faz sentido? Lembre que você já demonstrou aptidão na primeira etapa uma vez.
Assim, mais lucidamente trabalhada a idéia, quem duvida de que com essa medida as aprovações e a satisfação geral do bacharelado em Direito do país seriam muito maiores? E o mais importante: sem comprometer a finalidade do exame e, ainda, potencializando sua eficiência uma vez que avaliaria mais a formação do bacharel – o que de fato importa- do que sua obstinação ou habilidade de lidar com situações desgastantes e emocionalmente prejudiciais tais quais ansiedades e estresse.
Diante disto, você já deve ter concluído que, realmente, separar as duas etapas, permitindo que o examinando aprovado na primeira tenha que se submeter apenas à fase discursiva da prova, ainda que por um período determinado de dois ou três anos, criaria as condições de transparência e honestidade necessárias para avaliar de fato a preparação do examinando, pois este realizará ambas as provas com muito mais tranqüilidade e esforço pessoal. Neste sentido, estará sendo eliminado um poderoso elemento de desmotivação. Afinal quem nunca deixou de realizar bem algo que sabia por estar prejudicado emocionalmente?
Destarte, em nome do debate crítico em torno da temida prova, fica o convite ao aprofundamento da reflexão aqui exposta que, sem temor na fala, pode-se afirmar já ter povoado a cabeça de muitos bacharéis. Neste sentido, já que pode ficar melhor, que tal melhorar.

Lançamentos de Livros de Ricardo Caval

video

Este é um vídeo com fotos de eventos nos quais fiz lançamento ou exposição de livros. Em breve estarei publicando mais alguns. Entre os quais estão na "boca do forno" o livro de Poesias "Badalos Silentes" e o a obra acadêmica "Compatibilidades e Dissensos enre Segurança Jurídica e Estado Democrático de Direito", fruto da minha dissertação de monografia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pregação dia 05 de dezembro de 10
Local: Grupo de Oração Poço de Jacó
Tema: Saiu para semear

Ricardo Cavalcante Morais

SAIU PARA SEMEAR

O machado está na raiz das árvores, e toda arvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo. (Mateus 3, 10)

Pode-se dizer que ao se tratar de semeadura está-se diante um elemento de desproporcionalidade e de uma ambigüidade. Diante disto somos chamados a compreender, em Cristo, a força e os riscos desta desproporção e também n’Ele a nossa responsabilidade diante daquela ambigüidade, no sentido de como lidamos com as pessoas e as coisas a nossa volta.

A desproporção citada diz respeito ao fato de que embora as sementes, em geral, sejam pequenas o resultado do seu plantio costuma ser plantas muito maiores que elas. Assim, Deus nos mostra que nem um bem praticado é tão pequeno que não produza grandes graças em nossas vidas, e nem um mal praticado é tão insignificante que não seja capaz de nos trazer profundos transtornos e gerar reais infernos. (Lucas 13, 19)

Diante disto apresenta-se a outra questão, a da ambigüidade. Esta diz respeito ao fato de que à luz do evangelho o homem é ao mesmo tempo semeador e campo semeado. Diariamente ele lança no mundo e na vida de outros homens sementes que brotam das arvores, boas ou más, que em si cresceram. E, igualmente, ver chover sobre si diversas sementes difundidas pelas pessoas que estão à sua volta, lugares que freqüenta, e meios de comunicação que utiliza. (Mateus 13, 3-8)

Neste sentido, Deus deseja abrir nossos olhos para essa realidade e a partir disto nos fazer compreender, seja como semeadores seja como campos a serem semeados, que precisamos saber distinguir entre as sementes quais delas darão joio – pecado - e quais darão trigo – santidade a fim de impedir que o mal se instale e que o bem se perca.

Neste sentido, pela graça do Espírito Santo poderemos expulsar das nossas vidas toda a negligência para que, deixando de lado toda a omissão, possamos trabalhar para eliminar qualquer semente do pecado, por menor que ela seja, e nos esforçar com toda a determinação para produzir, semear e acolher toda semente de santidade, ainda que seja um grão de mostarda, pois em Deus esta semente moverá montanhas. (Mateus 17, 20)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ENSAIO SOBRE O TEMPO

O Tempo. Essa é questão que, não sei há quanto TEMPO, se filosofa a respeito, canta-se e faz-se poesias ao seu entorno. Bom, também eu, tirei um “tempinho” para falar sobre ele...
Primeiramente, informo ao meu leitor que não pretendo discorrer sobre o tempo etéreo na abstração vaga de uma idéia de linearidade que nos contenha em si; nem qualquer coisa neste sentido. Não tenho tempo para isso. Penso que esta seja uma discussão anacrônica. Hoje, o que interessa discutir é o tempo enquanto experiência. Venha.
Uma das experiências mais tristes que o ser humano faz é a de olhar para o seu momento presente e perceber que ele se formou sobre um passado vazio das experiências que se poderia ter feito com as pessoas que se ama e as oportunidades que se teve; e, tudo por que se acreditou que era possível adiar as nossas iniciativas para fazê-lo. É como o caso de um técnico esportivo que deixasse o jogo na defensiva, para armar um ataque estratégico no segundo tempo da partida sem, contudo, dar-se conta de que, na verdade, já está no último minuto do jogo!
O que houve com um pai que vê seus filhos grandes, casados, formados e, pensa consigo mesmo, “quando isso tudo aconteceu?”, um pai ou uma mãe, que esteve todos esses anos sob o mesmo teto e, ainda assim, pasma diante da realidade que se apresenta a ele como se ela tivesse aterrissado de para quedas nos seus quarenta e tantos anos?
O que houve, ainda, com um filho que olha seus pais idosos e tem a impressão de lhe serem estranhos estes, seus genitores?
Essas questões, extremas, ainda que terríveis, acontecem com muita freqüência, embora se passem no silêncio das íntimas reflexões, dores e remorsos.
O que houve nesses casos e, que acontece em tantas famílias e comunidades, para serem compreendidas, evocam de nós um sentido próprio de tempo. No caso que apresentei foi muito tempo corrido, mas, as experiências que fizeram cada pessoa umas em relação às outras de se abrirem, mutuamente, às suas respectivas realidades, sensibilidades, fraquezas e virtudes, praticamente, não existiu.
Não é o tempo que guarda nossas experiências; é aquilo que vivemos - os momentos - que têm uma medida própria de temporalidade e, pela sua intensidade, verdade e, sobretudo, como estão ligados aos nossos afetos e compreensões, que fazem, a si, durarem uma efemeridade ou um marco perene constitutivo de valores. Por isso, é que, se na família, não permitirmos que nos conheçam e nem nos empenharmos em conhecer uns aos outros, não elaboraremos laços emocionais uns com os outros. E são, exatamente, esses laços que desejo apresentar como tempo, de fato.
Quanto mais firmes são tais ligações mais tempo elas significam. A força que têm não está vinculada ao número de horas que tenha durado o seu processo de estabelecimento, mas, à profundidade com que se permitiu que o outro nos acompanhasse naquilo que de fato somos, e vice e versa.
Disse isso para caminhar à conclusão de que o tempo, efetivamente, é afetivo.
Dito isto, o que desejo falar-lhe, agora, é que faça, desde hoje, a desafiadora tarefa de dar-se ao outro e, a abri-se para receber, em sua vida, as demais pessoas, sem preconceitos, sem arrogância, sem deixar para mais tarde. O amanhã poucas vezes tem a sorte de trazer consigo as circunstâncias pretéritas que criamos não haverem passar. E quando finalmente nos damos conta de onde estamos é que paramos para pensar em como chegamos ali, quando deveríamos fazer isso mesmo antes de iniciarmos qualquer percurso na vida, para, entre tantos, termos nos planejado para a melhor estrada. Geralmente fazemos o caminho mais curto, que é o mais superficial, nesse assunto de vida e coisas que, de fato, valem apena. Os bons são os caminhos longos, não porque se tenha caminhado mais, mas por que, no sentido aqui abordado, empreendeu-se a construção de mais tempo.
Ninguém sabe quando morrerá, mas todos morrerão e cada um terá vivido a sua própria quantidade de horas nesse mundo. Essas horas serão exatas. No entanto, o tempo de vida que cada um terá dependerá de como encarou a vida e de como se relacionou com ela a partir das pessoas com as quais conviveu. Por isso, seja gentil com as pessoas, amável, crie laços e não se isole, jamais. As pessoas são os maiores valores com os quais lidamos na terra, são o que devem realmente ser objeto de nossa atenção, esforço e dedicação. O restante, de certa forma, é perda de tempo se estiver desarraigado desta baliza do ser.
Não se iluda, acreditando que tudo permanecerá como está. As coisas mudaram. Pessoas passaram. E oportunidades presentes perderam seu espaço por que as circunstâncias que lhe formam se reconfiguraram. Por tanto, o que tens que fazer, FAÇA AGORA.

Espero, com esse texto, ter tomado, em sua vida, mais tempo que os minutos que você levou para Lê-lo.


Felicidades!!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

TEU OLHAR ME INCENDEIA

Teu olhar me incendeia
De amor generoso
De perdão gratuito .
Teu toque me excita a intensidade virtuosa
Tua ciência me desnuda plenamente .
Sou-te translúcido. Nem te sou rubro.
Sou a mim, que não me conheço.
Minhas defesas me fazem bobo.
Minhas desculpas, um tolo.
Sou nu para ti, completo e sempre.
Teu sopro suave sobre minha Derme
Arrepia minhas aspirações
Eriçados os sonhos . Os bons.
Tua simplicidade humilha minha pompa
E me ensina. Derruba. Acorda. Põe-me em desacordo.
O silêncio teu faz os meus ruídos serem insuportáveis.
Depois eles fogem. Então aquele silêncio, que eu quis praguejar...
Me conforta , suporta meu peso, me cabe inteiro, me guarda. Protege.
Teu olhar me incendeia. Me conforta as veias com seiva de amor.

HUMANIDADE ABANDONADA

O homem se abandonou. A humanidade abandonou a si mesma. Hoje as pessoas estão lançadas à sorte dos sistemas. Elas sofrem severamente as conseqüências deste fato, corporificadas na sua destruição, moral, física e social. E esta condição deve levar o homem a níveis ainda mais degradados de sua humanidade.

Vê-se o abandono moral. Hoje não existe uma preocupação razoável das pessoas com a fidelidade aos seus valores. Passa-se por cima deles para satisfez interesses imediatos e mesquinhos. Mente-se, fura-se filas, dá-se “um jeitinho”, sempre inescrupuloso se isso significar tirar vantagem. E uma vez que acontece isso com quem teve um direcionamento ético, o que dizer de quem não o teve? O vício é normal. Assim, pelo exemplo, também as gerações vindouras tendem a uma realidade ainda pior, uma vez que o homem é um ser cultural, um produto do meio. Este é um dos frutos de um sistema que conduz o indivíduo a ao pensamento egoísta, o capitalismo, é a ‘lei do mais esperto’.

As pessoas não se alimentam bem, as refeições são ao estilo da pressa, reféns dos microondas, e das gorduras saturadas, para os pobres, da falta de higiene dos refeitórios a céu aberto. As noites enchem as camas de corpos estressados e sonos inquietos. As relações entre as pessoas se resumem a cumprimentos e prestações de contas. Essas e outras circunstâncias estão destruindo a saúde física, mental e emocional de seus atores. E quanto a isso é visto um recuamento à mínima postura reacionária a essas condições, que adoecem as pessoas. O homem se abandonou fisicamente.

A tempo das pessoas nutre o sistema e às adoece.
Esta doença é também social. Ela é claramente vista na inanição das crianças africanas, nos corpos mutilados, a preço de petróleo no Oriente Médio , nos pedintes, mendigos e moradores de rua de nossos bairros. Estas indesejáveis e desconfortáveis situações denunciam o a míngua da caridade, da fraternidade, a inoperância dos governos em políticas de fomento da equidade social. E neste sentido é como comunidade humana que, outra vez, o homem se colocou de lado.

Frente ao exposto é evidente que o sistema global de acumulo de capital, e sua intensificação, fazem surgir no mundo circunstâncias que submetem e denigrem as pessoas em relevantes aspectos de suas vidas. Igualmente, nota-se que a apatia destas frente à dinâmica global intensifica o seu fenecimento. Nestas circunstâncias deve o homem mudar a sua postura e buscar interferir no sistema econômico e político tornando-o mais útil ao bem de todos. Bem como ter mais zelo na manutenção do bem moral, físico e social.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

M de Maria - série cordel

Todos os dias Antônio fazia sua oração. Joelhos no chão, coração também. Era humilde como ninguém, João, o irmão que acompanhava Antônio no ato. Maria Alice nada queria daquilo ali. Achava que se bastava, não tinha que por os joelhos na dor e falar com quem não via. E todos viam que ela era mesmo assim, -“esconder para que?” - dizia - “Os bestas aqui são vocês” - prosseguia. Os irmãos se olhavam e sem palavras se entendiam. Sabiam que a verdade se contava de outro modo. E “o besta”, não tinha jeito, era mesmo Maria e a pobre nem sabia.

Num dia certo Antônia e Alberto, Pais dos espertos, Maria, Antônio e João, anunciaram depois da parca refeição que iriam se mudar de Senador Lá Rock para Imperatriz ou Nova Iorque, municípios no Maranhão. “Aqui não ta dando mais, meus filhos o seu pai já não tem outra opção, vê vocês com fome e não ter o que fazer dói muito no coração. Eu e sua mãe conversamos e juntos chegamos a essa decisão. Tive oferta de trabalho nessas duas cidades e partiremos logo, devido às necessidades”

Foram para Imperatriz. Tudo que sempre quis, viu Alberto e pode morrer feliz. Todos os filhos formados dois contadores e um advogado. Os dois homens se casaram e Maria temia “ficar para titia”. A mãe dos três já era senhora idosa. Sonhava voltar para roça para passar em paz a velhice. Alice não concordava fazia birra e teimava, não queria ficar só. Só concordou com a mãe quando arrumou um namorado, que se dizia apaixonado.

E ficando Maria só, casou-se com Zé Bodó. Mas esse tal de Bodó sabia namorar... Sabia tanto que não conseguia parar, mesmo depois de casar. Um dia então a casa caiu, Maria descobriu!

Chorou-se para todo lado e o irmão advogado Maria foi procurar. “Que ele bebesse eu até tolerava, mas ser uma mulher enganada é de mais para mim”. Queria ela o divórcio. Amava. Mas aquilo ela não aceitava. Bodó não concordava. O perdão ele pedia, ela não cedia. Ele se sentia culpado, não devia ter namorado, amava Maria.

Eles estavam distantes, mas se pensavam a todo instante.

Os irmãos de Alice estavam preocupados. Não procuraram culpados. Pensavam em uma solução. Sendo de grupo de oração, ouviram o coração. Nele Deus dizia que tinha planos para Bodó e Maria. Na semana que chegava haveria um retiro espiritual... Mas os irmãos não se animaram. Já ira ser a décima vez que chamavam, seria natural outro “não”. “Retiro?!” –dizia a irmã- isso é coisa de gente mole, eu prefiro o fole da agitação”. Mas fazer o que? Na oração Deus dizia: chama Maria, chama Maria!

Maria queria “fugir” daquela cidade. O retiro era uma boa oportunidade. E assim ela aceitou, nem titubeou.

Chegou discretamente no salão, no meio de tanta gente Deus falava diretamente com ela. Foi indescritível o que aconteceu, Maria renasceu. Perdoou o seu marido e orando por ele Deus ouviu o seu pedido...

Na mesa de um bar Zé Bodó começou a chorar. Não sabia explicar porque nunca tinha chorado assim. Sem entender saiu dali voando e foi para casa soluçando. Sentou no sofá e se descontrolou novamente em pranto. “Ai meu Deus o que é isso?!” –gritou. Não ficou sem resposta. Ele caiu em repouso. Viu-se entrar num lugar maravilhoso. Sua alma se enchia de paz e gozo. Um anjo lhe pegou pela mão e mostrou sua mulher em oração. Em sua alma se abria uma nova ciência. Zé Bodó foi então, batizado no Espírito Santo de Deus. E lhe prestava reverência.

Tudo ficou em paz. Zé bodó não traiu mais, até parou de beber. Maria se animou e tiveram um bebê. Hoje vivem os três: Zé, Maria e Juquinha, em plena harmonia, paz e muita oração. Vão para a missa todo dia e ajudam muitos outros casais que vivem na mesma situação que um dia fez sofrer Maria. E lhes dão a mesma solução.